O Espírito do Avivamento – R.C. Sproul [2/6]
O Contexto Cultural
Vivemos no outro lado de um divisor de águas na história americana. Nossa nação passou por duas poderosas revoluções desde que Edwards escreveu seu tratado. A primeira revolução foi a que rendeu a fundação dos Estados Unidos em uma república independente. Edwards trabalhou antes da Guerra da Revolução que ganhou a independência das colônias americanas da coroa britânica.
No século XVIII o mundo ocidental testemunhou duas grandes revoluções, a Revolução Americana e a Revolução Francesa. As duas têm sido muitas vezes comparadas e contrastadas pelos historiadores. A principal diferença entre as duas pode ser vista na raiz das causas dos conflitos.
No caso da Revolução Francesa o objetivo dos revolucionários era trazer uma mudança radical à cultura francesa, incluindo as instituições políticas, costumes, usos e ethos da velha ordem. Em certo sentido, foi uma revolta contra o status quo e as tradições profundamente enraizadas. O conflito foi um profundo derramamento de sangue acompanhado por um reinado de terror.
Em contraste, a Revolução Americana não foi travada para derrubar ou destruir a velha ordem, mas para preservá-la. Os colonos resistiram alterações introduzidas pelo Parlamento, que ameaçava o estabelecido modo de vida americano.
Às vezes tendemos a esquecer que a América não começou como uma nação no final do século XVIII. Os colonos começaram a tarefa de colonização da América, nos primeiros anos do século XVII, com o assentamento de Jamestown em 1607, e a resolução de Massachusetts em 1620. Nós tendemos a esquecer que entre 1607 e a inauguração de George Washington, mais de 175 anos se passaram, tempo apenas um pouco menor do que ocorreu entre George Washington e William Jefferson Clinton. Temos a tendência ver como um telescópio nossa história, na medida em que vemos Miles Standish e Thomas Jefferson como contemporâneos virtuais.
O ponto é que, o tempo decorrido entre o início da América colonial e da guerra revolucionária foi tempo suficiente para estabelecer um modo de vida americano, com suas próprias tradições, costumes, modos e ethos culturais. Estes elementos não foram de repente e dramaticamente derrubados pela Revolução Americana. De fato, como é o caso de todos os costumes culturais, eles foram expostos a mudanças graduais e adaptações, mas sem uma derrubada radical até a Segunda Revolução Americana.
Quando falo de Segunda Revolução Americana estou pensando na revolução cultural que ocorreu na década dos anos sessenta e setenta. Esta revolução foi muito mais drástica em suas consequências para a vida americana do que foi a primeira revolução. Ela inaugurou uma nova ordem que deixou nossa cultura presa em uma guerra cultural em curso que tinha uma nação dividida e fragmentada sobre questões de moral sexual, relação entre Igreja e Estado, colapso da unidade familiar, o surgimento de uma cultura das drogas, e uma mudança radical nos costumes do discurso polido. Uma cultura que já abraçou a ética normativa, deu lugar a um espírito de relativismo. O impacto na lei, educação, imprensa, e praticamente todas as instituições sociais foi enorme. É evidente que estamos vivendo uma nova ordem que alguns, inclusive eu, veem como uma nova desordem.
Este é o contexto cultural que devemos ter em conta quando se fala de reavivamento espiritual e/ou reforma. É essa ordem atual, incluindo o estado da igreja, que devemos entender quando procuramos encontrar relevância ou aplicação da obra de Edwards ao nosso próprio tempo.
Durante o mesmo tempo que a revolução cultural estava em alta velocidade, eventos significativos tiveram desdobramentos dentro da igreja. Durante a década de sessenta, vimos a explosão do movimento carismático que se espalhou muito além dos limites das igrejas pentecostais e adentrou as principais denominações. Posteriormente se tornou uma grande força dentro do evangelicalismo contemporâneo. Desde os anos sessenta temos visto também uma grande diminuição no número de membros de igrejas liberais e um correspondente aumento no número de membros nas igrejas evangélicas e conservadores. As pesquisas indicam um aumento significativo na adeptos do evangelicalismo desde 1960.
No mesmo período testemunhamos um crescente envolvimento das pessoas em práticas ocultistas e o advento da filosofia e religião da Nova Era. Um novo fascínio com o sobrenaturalismo abrandou a maré da tendência do naturalismo tão arraigado na cultura secular.
A Relevância das Marcas Distintivas de Edwards
O que essas tendências significam? Será que estamos no meio de um grande renascimento? Ou será que estamos vendo marcas espúrias de avivamento? Aqui é onde a revisitação das Marcas Distintivas de Edwards pode ser mais útil. Para nós percebermos a presença de um reavivamento autêntico, precisamos saber com o que tal reavivamento parecerá.
Quando os sinais de avivamento aparecem no cenário da história, uma das primeiras perguntas que se coloca é a de autenticidade. É o reavivamento genuíno, ou é uma mera explosão de emoção superficial? Encontramos entusiasmo vazio apoiado por nenhuma substância, ou o entusiasmo é próprio sinal de uma grande obra de Deus? Em cada reavivamento registrado na história da igreja, os sinais que o seguem são misturados. O ouro é sempre misturado com impurezas. Todo avivamento tem suas falsificações, as distorções tendem a levantar questões sobre a realidade. Este problema certamente esteve presente no Grande Despertar da Nova Inglaterra do século XVIII, no qual Jonathan Edwards era uma figura chave. Sua Marcas Distintivas fornecem uma análise cuidadosa desse reavivamento, não apenas de seu conteúdo, mas bem como dos seus excessos. Mas o divino estudo do Puritano dessa matéria tem mais relevância do que a sua aplicação a esse despertamento singular. Ele fornece um mapa a se seguir para todos os períodos de reavivamento, por essa razão é de contínuo valor para nós hoje
Continua na parte 3
Título Original: The Spirit of Revival
Autor: R.C. Sproul
Trecho retirado da introdução de R. C. Sproul para o livro Spirit of Revival editado por Archie Parrish, disponibilizado pelo blog da Ligonier Ministrites.
Todos os direitos reservados à Ligonies Ministries e R.C. Sproul
Tradução não oficial, sem fins comerciais, apenas para divulgação feita por Luis Henrique P. de Paula.
P6: Qual é a relação entre circuncisão e batismo em seu atual pensamento e como tipicamente os pedobatistas a vêem?
R6: Pedobatistas usualmente vêem essa relação entre circuncisão e batismo em água na base de “um por um”. Ou seja, eles vêem dois “sacramentos” (circuncisão no VT e batismo em água no NT) com uma pequena ou nenhum diferença exceto pela administração do ritual por si mesmo. Conforme expresso na Confissão de Fé de Westminster: “Os sacramentos do Velho Testamento, quanto às coisas espirituais por eles significados e representados, eram em substância os mesmos que do Novo Testamento”[1]. Há um sentido em que isso é verdade, na medida em que, tanto no Antigo como no Novo Testamento, todas as coisas apontam para Cristo e Sua obra salvífica na cruz. Mas, enquanto a circuncisão no Antigo Testamento era para Abraão e sua descendência (masculina) física, que têm a ver com o relacionamento entre o povo de Israel e da terra prometida de Canaã, como explicado por Paulo no Novo Testamento o batismo da água representa a circuncisão do coração, que já foi regenerado (Colossenses 2:11-12, Filipenses 3:3). Os sacramentos do Novo Testamento são para aqueles que já foram convertidos, aqueles que já tiveram seus corações transformados pela obra salvífica da Cruz de Jesus Cristo. Então, há uma diferença significativa entre a circuncisão da comunidade da Antiga Aliança (que lida com a semente física de Abraão), e a comunidade da Nova Aliança (que tem a ver com a semente espiritual de Abraão).
P7: Como a Nova Aliança não é como a aliança que Deus fez com os Pais?
R7: Eu já parcialmente lidei esta questão acima, mas gostaria de acrescentar que, segundo Jeremias 31 e Hebreus 8 a diferença entre a Antiga Aliança e a Nova Aliança é que a Antiga era quebrável enquanto que a nova não é. A Velha estava mais envolvida com a semente física, enquanto que a Nova está mais preocupado com a semente espiritual. Segundo as duas passagens citadas acima a comunidade do Novo Pacto é constituído por aqueles que “conhecem o Senhor.” É para crentes e não crentes e sua descendência infantil.
[1] A CFW está disponível no site Monergismo, confira: http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm
Fonte original: Part III: Interview with Dr. Crampton (from paedobaptism to credobaptism) – Midwest Center for Theological Studies
Tradução livre: Luis Henrique de Paula.
Nota:
Hoje estou começando uma série de postagens sobre o Molinismo. Ele tem tomado força com a sua propagação pelo filósofo e teólogo apologeta William Lane Craig. No entando, o Molinismo, desde a sua concepção, como um movimento jesuíta e de contra-reforma, fere vários aspectos das Escrituras, seja em seus princípios primeiros, meramente filosóficos, ou em suas implicações. No pensamento molinista a fé como um dom de Deus (como exposto em Efésio 2:8) passa a ser um mero ato da vontade humana, e tal vontade, segundo essa linha de pensamento, não pode ser influenciada ou determinada pela graça de Deus. Logo, tanto a depravação humana (Rm 1-3), como a regeneração (Jo 1:13 e 3) não são estados anteriores à fé, pois todos os homens são igualmente livres e capazes de se voltarem para Cristo; a justificação repousa sobre um ato soberano da criatura e da sua vontade, enquanto Deus se torna observador e nada mais que um coadjuvante nesse processo. Alguns conceitos de Molina, como a tese do concurso das causas, e mais da sua concepção de fé e etc, serão abordados em um artigo autoral em breve.
O trecho a seguir foi retirado do site da Alpha and Omega Ministries (do Rev. James White) e é um excerto da Reformed Dogmatics de Herman Bavinck, onde ele remonta às origens da teoria do Conhecimento Médio (ou Ciência Média) e demonstra de forma simples os seus problemas diante do Deus da Bíblia. O artigo original chama-se Um Fabuloso Sumário Sobre Conhecimento Médio: Bavinck Fulmina Novamente.
Por Richard Barcellos
P4: Quais são alguns dos livros que o ajudaram ao longo do processo ao credobatismo e você pode nos falar um pouco sobre alguns ou todos eles?
R3: Há uma série de livros que tiveram influência em meus estudos sobre este assunto. Vou listar alguns dos mais persuasivos: The Baptism of Disciples Alone de Fred Malone, Antipaedobaptism in the Thought of John Tombes de Mike Renihan, A Treatise on Baptism de Henry Danvers, Children of Abraham de David Kingdon, Biblical Baptism: A Reformed Defense of Believer’s Baptism de Samuel Waldron, Paedobaptism or Credobaptism? de Richard Barcellos, e especialmente Infant Baptism and the Covenant of Grace de Paul K. Jewett. Mas talvez os estudos que foram mais convincentes do que qualquer outra coisa foram duas séries de palestras, uma foi “O grande debate sobre o Batismo e o Pacto” de William Einwechter e a outra foi a série de fitas do Pastor Greg Nichols sobre o “Batismo Infantil”. Também é interessante que as tentativas “falhas” de vários livros pedobatistas tiveram uma grande influência na minha maneira de pensar sobre este assunto. Ou seja, os defensores do batismo infantil simplesmente não respondem às questões levantadas contra o pedobatismo.
P5: Você acha que o batismo infantil viola a doutrina da Confissão de Westminster, do princípio regulador do culto? Se sim, como?
R5: Sim, eu acredito que a prática do batismo infantil é uma violação do “princípio regulador” de culto. Eu explico isso em algum detalhe em meu próximo livro sobre o assunto, mas (como citado em meu livro), basicamente, o problema é este: Se não houver ordem expressa dada nas Escrituras para batizar crianças, e se não há nenhuma evidência direta para a prática do batismo infantil, portanto administrar o batismo de crianças no culto de adoração é uma violação do princípio regulador. Eu sugeriria que aqueles que se interessam em saber mais sobre este assunto, vejam o que eu disse em meu livro. Fred Malone também lida com esta questão em seu ‘The Baptism of Disciples Alone’ [O batismo de discípulos apenas].
Fonte original: Part II: Interview with Dr. Crampton (from paedobaptism to credobaptism) – Midwest Center for Theological Studies
Tradução livre: Luis Henrique de Paula.
A Supremacia do Evangelho – John Von Müller
“O evangelho é o cumprimento de todas as esperanças, o ponto de perfeição de toda a filosofia, a explicação de todas as revelações, a chave de todas as contradições aparentes do mundo físico e moral, a vida e a imortalidade. Desde que conheço o Salvador, tudo é claro aos meus olhos; com Ele não há coisa alguma que eu não possa resolver.”
John Von Müller
Nota do Tradutor: O Dr. Gary Crampton, anteriormente presbiteriano e agora batista reformado, é uma importante figura da apologética escrituralista, a linha pressuposicionalista de Gordon Clark. Como presbiteriano o seu livro Study Guide to the Westmister Confession é considerado por muitos um bom referencial à confissão presbiteriana. Agora como credobatista, ele lançou recentemente o livro From Paedobaptism to Credobaptism: A Critique of the Westminter Standards on the Subject of Baptism (RBAP, 2010) [Do predobatismo ao credobatismo: Uma crítica ao Padrão do Westminster na questão do batismo], onde defende seu novo ponto de vista e afirma sua divergência com a doutrina do pedobatismo. A discussão parece em alta nos EUA. Do pouco que vi em alguns sites, o padrão dos debates tem sido teologicamente respeitoso e muito cordial, de fato fraterno. Salvo exista alguma exceção ruim neste aspecto (coisa que não vi, pelo menos na internet), de uma forma geral o assunto é uma boa oportunidade para edificação mútua e revisão, à luz das Escrituras, das nossas doutrinas.
Por Richard Barcellos
P1: Dr. Crampton, o Sr. poderia falar um pouco sobre você – família, educação, experiência ministerial, livros publicados, situação atual?
R1: Eu nasci em 1943 em Washington, D.C. Graduei no ensino médio em 1961 e na faculdade em 1965. Recebi um MBS pela Faculdade de Atlanta de Estudos Bíblicos, o Th.M. e Doutor em Teologia da Whitefield Theological Seminary, e um doutorado pela Escola Central de Religião, em Surrey, Inglaterra. Eu moro na Virginia, sou casado e tenho duas filhas casadas e cinco netos. Interesses gerais incluem, principalmente, da leitura (eu sou um leitor inveterado, principalmente sobre os assuntos de teologia e filosofia) e da escrita, mas também gosto de praticar algum “exercício” físico todo dia. Quanto à minha filiação eclesiástica, eu sou um batista reformado, e um defensor dos ensinamentos contidos na Confissão Batista de Londres de 1689 e o Catecismo Menor Reformado Batista. Nos últimos 25 anos pastoreei três igrejas e tive a oportunidade de pregar e ensinar em uma série de outras igrejas. Minha esposa e eu somos atualmente membros da Igreja Reformada Batista de Richmond, Virgínia.
Livros que eu escrevi incluem: What Calvin Says, Study Guide to the Westminster Confession, The Scripturalism of Gordon H. Clark, e By Scripture Alone, que foram publicados pela Trinity Foundation. Soli Deo Gloria publicou What the Puritans Taught e Meet Jonathan Edwards. Meu He Shall Glorify Me foi publicado pela Whitefield Press, e Blue Banner Ministries publicou Christ the Mediator [Cristo, o mediador; publicado no Brasil pela editora Monergismo], assim como também Built Upon the Rock, Toward a Christian Worldview [Em direção à uma cosmovisão cristã, idem], e So Great a Salvation (estes três últimos livros foram escritos em parceria com o Dr. Richard E. Bacon). Apologetics Press publicou Calvinism, Hyper-Calvinism, and Arminianism, que eu escrevi junto com o Dr. Kenneth Talbot, e a Reformation Heritage Books publicou A Conversation with Jonathan Edwards. Eu também tive uma série de artigos publicados em diferentes revistas cristãs, jornais, etc (The Blue Banner, The Confessional Presbyterian, The Trinity Review, New Southern Presbyterian Review, Chalcedon Report, The Christian Statesman, and Journey).
P2: Quanto tempo você brigou com a questão relacionada ao batismo?
R2: Eu estive lutando com a questão do pedobatismo versus credobatismo por quase vinte anos.
P3: Quais são os principais problemas que você encontrou com o pedobatismo que motivaram você a continuar estudando?
R3: Existem vários problemas que me incomodaram sobre a doutrina do pedobatismo. Eu vou mencionar apenas um, e este é que não existe simplesmente nenhum texto no Novo Testamento onde há alguma menção de batismo de infantes. Este problema é admitido por alguns dos mais refinados teólogos pedobatistas que escreveram sobre o tema. Isso significa, conforme admitido e ensinado por estes teólogos pedobatistas, que nós devemos voltar ao Velho Testamento para estabelecer a doutrina. Quando se volta ao outro sacramento do NT, a Ceia do Senhor, entretanto, os teólogos pedobatistas não aplicam o mesmo princípio hermenêutico. Ou seja, os recebedores da Ceia do Senhor são determinados pelo ensino do NT em vez do ensino do VT. Essa inconsistência aqui é evidente. Outro problema aqui é que o VT não menciona sequer batismo de infantes. O que esta hermenêutica assume é que o pacto Abraamico, onde os infantes machos eram circuncidados, ainda continua valendo na igreja do NT realmente sobre a base de um para um, e, portanto, os infantes dos crentes devem ser batizados. Existem tantas dificuldades aqui (as quais eu escrevo sobre em meu livro) que elas são numerosas demais para lidar em uma entrevista como essa. O mais sério erro cometido é o de sobrecarregar a continuidade do Velho e do Novo Pacto em detrimento da descontinuidade entre ambos. A doutrina dos Batistas Reformados não é em sentido algum dispensacionalista; antes, ela é totalmente pactual. Ela reconhece que há certamente uma continuidade entre os dois pactos, mas existe também uma descontinuidade que deve ser vista (veja Jeremias 31:31-34; compare Hebreus 8:6-13).
Fonte original: Part I: Interview with Dr. Crampton (from paedobaptism to credobaptism) – Midwest Center for Theological Studies
Tradução livre: Luis Henrique de Paula.
Sexo e Segurança da Salvação – Tim Challies
Uma das alegrias de se ler extensamente está em encontrar conexões interessantes entre coisas que poderiam parecer não estar relacionadas. Deixe-me explicar.
Eu recentemente li o livro de R.C. Sproul ‘What Is Reformed Theology?’. Atualmente, eu tenho lido quase todos os livros de R.C. Sproul e tenho notado que ele tem várias ênfases recorrentes. Uma dessas é a importância de um correto entendimento da obra de Deus na preservação. É claro que essa ênfase faz sentido quando você sabe que Sproul é um antigo professor e defensor da doutrina reformada.
A preocupação de Sproul com o entendimento da doutrina da Perseverança dos Santos não é puramente teológica; não é simplesmente que ele quer ter uma teologia correta. Sua preocupação é prática. “Existe claramente uma ligação entre nossa segurança e nossa santificação,” ele diz. “A pessoa que carece de segurança da salvação está vulnerável a uma miríade de perigos ao seu crescimento pessoal. O cristão confiante, certo de sua salvação, está livre do medo paralisante que pode inibir o crescimento pessoal. Sem segurança nós somos assaltados pela dúvida e pela incerteza a respeito das promessas de Deus, que servem como âncoras para nossas almas”.
O que Sproul quer que as pessoas vejam é que a segurança da salvação, uma doutrina que flui da ação da preservação de Deus (Sproul diz corretamente que as doutrinas podem ser distintas uma da outra, mas nunca separadas), é crítica para o crescimento espiritual. Aqueles que carecem de segurança de que eles são salvos acabam atolados pela preocupação com sua salvação. Eles têm problemas de crescimento em sua fé, pois não conseguem ver além da incerteza sobre sua própria condição espiritual. E isso faz todo sentido, certo? É difícil crescer em coisas profundas se nós estamos ainda lutando com as mais básicas. É por isto que todo cristão deve procurar a segurança da sua salvação.
Agora vamos mudar por um momento de R.C. Sproul para Nancy Pearcey (e se você deseja saber o que liga os dois autores, pode ser provavelmente um amor compartilhado por Francis Schaeffer). Em seu livro ‘Saving Leonard”, Pearcey tem um capítulo sobre “Sexo, Mentiras e Secularismo.” Ela escreve sobre como o sexo é percebido em nossa cultura secular e diz isso: “Um vídeo divulgado pelo Children’s Television Workshop define a relação sexual como simplesmente ‘algo feito por dois adultos para dar um ao outro satisfação.’ Nenhuma dica que a sexualidade tem algum significado moral ou social. Nenhuma sugestão de que tem um rico propósito, mais do que a satisfação sensual pura, como a de unir marido e esposa para criar um porto seguro para o crescimento dos filhos.” Secularistas perder o maior, o melhor propósito para o sexo e reduzem isso à uma troca de serviços físicos, um mero produto de consumo.
Quando as pessoas fazem do sexo algo tão pequeno, eles perdem que ele tem vários grandes propósitos, um deles é ser o único meio de unir um marido a esposa e uma esposa ao marido. Quando marido e esposa estão desfrutando da relação sexual, quando eles estão unidos por esta única maneira, existe estabilidade ao seu relacionamento. E no meio da estabilidade de relacionamento de pai e mão, filhos podem ter sucesso, sabendo que eles são criados no porto seguro de uma família comprometida. E esta é uma das razões para Deus nos dar o sexo – criar a estabilidade que nossas famílias precisam.
Você percebe o quanto essas duas coisas se relacionam uma a outra? Aqui está Sproul nos dizendo que nós crescemos melhor como cristãos no meio do contexto da perseverança de Deus, e aqui esta Pearcey nos dizendo que nós podemos criar melhor nossas famílias no contexto de uma família estável e comprometida. Em ambos os casos, Deus nos dá as estruturas que precisamos para ter sucesso. E em ambos os casos Satanás fará tudo o que puder para destruir essas estruturas. Ele irá roubar a segurança que os cristãos têm de que são realmente salvos e irá observar como eles murcham conforme eles acharem que não podem crescer na fé. E ele irá destruir famílias ou interromper o relacionamento sexual então e poderá minar a estabilidade na qual os filhos podem crescer e ter sucesso.
Então eu suponho no fim de tudo deixar visível novamente a importância da relação sexual não apenas para marido e mulher, mas para sua família (no entanto a família não deverá, espero, ter conhecimento dos detalhes, claro!) e a importância de perseguir e encontrar a segurança da salvação. Em ambos os casos, Deus procura nosso bem e Satanás procura nossa destruição.
Artigo original: Sex & Assurance of Salvation - http://www.challies.com/christian-living/sex-assurance-of-salvation Escrito por Tim Challies – Tradução livre por Luis Henrique Pereira de Paula.





